Maktub! Com destinos laçados, “El Turco” e Atlético-MG compartilham ligação com sangue árabe

Antonio Mohamed tem apelido por causa do sangue sírio-libanês nas veias; colônia do país árabe produziu importantes personagens para a história do Galo

Em um dos antebraços, Antonio “El Turco” Mohamed carrega uma tatuagem da palavra-mantra “Maktub”. De origem árabe, a tradução mais simples é “estava escrito”. Uma referência ao destino, que entrelaça novamente o treinador com o Atlético-MG. Mais do que aquela noite de 30 de maio de 2013, é o sangue sírio-libanês que entrelaça “Tony” nas esporras do Galo.

Assim como aconteceu na Argentina, os imigrantes do antigo Império Otamano na virada do Século XIX para o Século XX eram todos chamados de “Turcos” na jovem Belo Horizonte. A colônia sírio-libanesa passou a torcer pelo Galo quando Said Arges, ex-atacante do Sírio-Horizontino, foi formar o Trio Maldito do Atlético na década de 1920/30 com Jairo e Mário de Castro. Então, diversos sobrenomes árabes edificaram a história do Atlético.

O mais famoso deles, Kalil, rendeu dois presidentes do clube mineiro – Elias, que montou esquadrão nos anos 1980, e seu filho, Alexandre, mandatário campeão da Libertadores 2013 e Copa do Brasil 2014. Foi em 2013 que Mohamed e Atlético se encontraram pela primeira vez, em Galo x Tijuana, nas quartas de final da Libertadores.

– Meus pais nasceram em Belo Horizonte, mas meus quatro avós são sírios. Vieram como imigrantes, se conheceram no Brasil, em festas de colônia. E meus pais também se conheceram no baile de carnaval na união síria. A minha mãe era muito bonita, meu pai era inteligente e feio. Então, minha mãe se encantou pela inteligência do meu pai, e meu pai se encantou com a beleza da minha mãe – disse Kalil, ao programa Em Off, em 2013.

Durante a ida do Atlético para o Mundial de 2013, alguns torcedores levaram uma camisa com os dizeres “Turco Loco” e a foto de Alexandre Kalil

No conselho deliberativo do Atlético, há outros exemplos do sangue sírio-libanês. Cadar, Patrus, Salum Moysés, Cury, Arges e Lasmar. Até mesmo o falecido diretor de futebol Eduardo Maluf tinha ascendência libanesa. Sem contar Roberto Abras, histórico radialista de Minas Gerais, setorista do Atlético há mais de 50 anos.

No caso do “Turco” Mohamed, o apelido é mais do que natural no futebol argentino para jogadores com origem árabe. Omar Asad, também “El Turco”, foi um histórico atacante do Vélez campeão da Libertadores e do Mundial de 1994. O nome completo do treinador do Galo é Antonio Ricardo Mohamed Matijevich. Sangue sírio por parte de pai, e iugoslavo por parte de mãe.

– Na Argentina, todo mundo que tem sobrenome com descendência árabe se chama turco, quem tem descendência russa ou iugoslava se chama polonês, é algo parecido, “El Turco” é porque meu sobrenome é de descendência árabe – já explicou o treinador.

Fonte: ge.globo.com

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