Do inferno ao céu: em 15 anos, América sai do Módulo II para a fase de grupos da Libertadores

5466 dias. Esse foi o intervalo entre os dois momentos mais extremos da centenária história do América.

Do rebaixamento ao Módulo II do Campeonato Mineiro, sacramentado com a derrota por 2 a 0 para o Rio Branco, no dia 28 de março de 2007, para a histórica classificação para fase de grupos da Copa Libertadores, alcançada na última terça-feira (15), diante do Barcelona de Guayaquil, foram quase 15 anos exatos.

Nesse período, o Coelho saiu do momento mais triste de sua trajetória, que colocou em xeque, inclusive, a própria continuidade do departamento de futebol profissional do clube, para a maior glória dos quase 110 anos de sua existência.

Após passar o segundo semestre de 2007 sem disputar nenhuma competição nacional, já que a vaga para a Série C – então última divisão do Campeonato Brasileiro – vinha através da classificação no Estadual do mesmo ano, e ter que se contentar com a disputa da Taça Minas Gerais (em que também fracassou), o início da guinada veio no ano seguinte.

Volta à elite do Mineiro e do Brasileiro

Sob o comando do técnico Alemão, ex-Napoli-ITA e seleção brasileira, o América conseguiu o principal objetivo no primeiro semestre de 2008, que foi a volta ao Módulo I do Campeonato Mineiro.

O acesso veio com o título, conquistado sob a batuta do veterano Euller, criado no Coelho, e que havia retornado ao clube dois anos antes.

Jogadores com o goleiro Flávio, campeão brasileiro com o Athletico-PR em 2001, e o zagueiro Preto, que levantou a Série A duas vezes com o Santos, se juntaram, ao volante Dudu e ao meia-atacante Luciano, como uma espinha dorsal que mudaria a história do Alviverde nos anos seguintes.

No segundo semestre, o fracasso na Série C. Ao menos, o Coelho conseguiu se livrar do rebaixamento à recém-criada Série D, que estrearia no ano seguinte.

Em 2009, após um Mineiro sem brilho, coube a Givanildo Oliveira, um dos principais técnicos da história do América, comandar o time no título da Série C, conquistado na vitória sobre o ASA-AL, no último jogo do antigo Independência, que fecharia para reformas visando a Copa do Mundo de 2014.

Em 2010, mesmo com um orçamento longe dos principais favoritos ao acesso, tendo que atuar fora de Belo Horizonte, e com a permanência na Série B sendo o objetivo mais plausível àquela altura, o Coelho surpreendeu.

Sob o comando de Mauro Fernandes, o América terminou a Segundona na quarta colocação, voltando a Série A após dez anos.

Bate e volta incômodo

De 2011 a 2021, o América se consolidou com uma forte equipe na Série B do Brasileiro. Entretanto, o desafio era conseguir fazer com que a equipe se mantivesse na Série A pôr pelo menos dois anos consecutivos.

Tal missão não foi alcançada em 2011, 2016 e 2018, quando foi rebaixado à Série B logo no ano seguinte em que conseguiu retornar à elite do futebol brasileiro.

Os títulos do Campeonato Mineiro de 2016 e da Segunda Divisão em 2017 deram motivos para o americano comemorar. Entretanto, a torcida e a diretoria alviverde, sempre encabeçada por Marcus Salum e Alencar da Silveira Júnior, queriam esse salto a nível nacional.

Mudança de patamar

Após a frustração em 2019, por ter perdido o acesso à Série A na última rodada, em uma derrota para o já rebaixado São Bento-SP, na última rodada, em casa, após uma grande arrancada na competição, o América conseguiu se manter no caminho.

Com a perda de Felipe Conceição, técnico que havia se destacado no ano anterior e que aceitou uma proposta do Red Bull Bragantino, o América trouxe Lisca, que assumiu o clube ainda em janeiro de 2020.

Sob a comando do “Doido”, o Coelho conseguiu o reconhecimento em Minas e no Brasil. A nível regional, voltou a vencer o clássico com o Cruzeiro após mais de quatro anos e fez jogos duríssimos com o Atlético, que já contava com um investimento milionário no elenco então comandado por Jorge Sampaoli, na semifinal do Mineiro.

Na Série B, um acesso tranquilo, com grande campanha, e o trauma da perda do tricampeonato da competição por um gol, para a Chapecoense, nos minutos finais da última rodada.

A coração veio na Copa do Brasil, com uma campanha histórica, em que foi semifinalista, eliminando os gigantes Corinthians e Internacional no caminho.

Cereja do bolo

No ano seguinte, o Coelho conseguiu a tão sonhada permanência na Série A. Mas não foi fácil. Após o vice-campeonato do Mineiro e um início ruim de Brasileirão, Lisca pediu demissão, deixando a equipe na zona de rebaixamento da competição.

Em seguida, o experiente Vagner Mancini, que havia recuperado o time, que vivia bom momento na Série A, deixou o América com destino ao Grêmio, para tentar salvar (sem sucesso no fim) o Tricolor Gaúcho do rebaixamento.

Quando pontos de interrogação começaram a surgir no CT Lanna Drumond, Marquinhos Santos chegou, deu sequência ao trabalho de Mancini, e não apenas salvou o time do rebaixamento, como conseguiu a vaga para a fase preliminar da Libertadores, a primeira competição internacional da história do Coelho.

A cereja do bolo veio em 2022, com a classificação à fase de grupos do principal torneio da América do Sul, conquistada em vitórias emocionantes nos confrontos com Guaraní-PAR e Barcelona de Guayaquil.

Por Hoje em Dia

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